Cloud computing: como o padrão mudou a estratégia da Microsoft


A Microsoft usa o termo “feature parity” (compatibilidade de recursos) para descrever a visão de que fornecer serviços baseados em cloud computing permite replicar as mesmas capacidades que os clientes já têm ao instalar os softwares tradicionais da marca dentro companhia. Afinal de contas, está tudo na nuvem, segundo o principal executivo da fabricante, Steve Ballmer.

Na prática, contudo, enquanto a Microsoft prepara o Exchange e o Share Point para o máximo de compatibilidades até o próximo ano, a fabricante admite que não tem planos de fornecer os mesmos recursos para o Office Web Apps, a versão online do Word, Excel, Power Point e OneNote.

O Office Web Apps, lançado em junho, é uma maneira altamente sofisticada para visualizar arquivos, no quesito de edição, porém, ele é limitado. As afirmações partem do gerente sênior de produtos Microsoft Office, Evan Lew.

Para Lew, os culpados dessa falta de integração são os softwares de navegação (sendo que o mais usado de todos é o Internet Explorer, da própria Microsoft). “Isso está ligado às limitações dos browsers”, diz.

“Com a chegada do HTML5, a linha que separava os browsers dos sistemas começa ficar mais tênue”, ressalta Lew. “Atualmente existe uma infinidade de motivos que tornam a edição de vídeos, de planilhas cálculo e de apresentações do tipo PowerPoint algo mais fácil de ser feito na máquina cliente do que por meio de um browser”.

Enfrentando o Google

A Microsoft sempre ressalta a habilidade de importar documentos do Office na plataforma da web, sem prejuízo da formatação. Supostamente, isso é uma vantagem sobre os applicativos do Google. Mas para tarefas de inserção de tabelas no Excel e para editar vídeos, a saída é usar os aplicativos locais.

Na busca pela solução e para enfrentar o Google, a Microsoft tem incrementado o elenco de recursos online. Todavia, é compreensível que a empresa não queira disponibilizar uma solução gratuita para substituir a rentável venda da suíte Office. Quem faz a análise é a pesquisadora da Forrester Sheri McLeish.

“Eles estão caminhando por uma linha estreita”, diz Sheri. “Eles estão nervosos com a presença da Google na nuvem, mas não o suficiente para baixar o preço do Office. Como querem proteger as margens de lucro, preferem gerenciá-las de maneira cuidadosa a baixar drasticamente”.

Com base em uma licença padrão, os usuários têm direito a usar aplicativos online da Microsoft, mas a cobertura completa do uso dessa solução na nuvem “simplesmente não vai acontecer em 2010”, afirma a analista.

BPOS

No que se refere aos serviços do Exchange e SharePoint, talvez o panorama seja outro. É o que prometem os porta-vozes da Microsoft.

Tanto o Exchange quanto o SharePoint ainda rodam em sistemas 2007. Com uma atualização planejada para 2010, a maioria dos recursos que diferenciavam a versão local da hospedada em servidores, deve desaparecer.

Alguns dos maiores clientes da nuvem já foram agraciados com uma atualização e, ainda em 2010, estará disponível uma atualização mais ampla. As previsões apontam para 2011 como data de estreia de versão final.

As atualizações do BPOS, o Business Productivity Online Standard Suite, da Microsoft, que hospeda serviços Exchange e SharePoint, vão trazer o sistema mais próximo a compatibilidade, pois serão adicionados os recursos de inclusão de mensagens de voz em e-mails, controle de acesso, uso de um login único para os ambientes da nuvem e local, e a opção de enviar códigos customizados ao SharePonit Online.

De acordo com o diretor de gestão de produtos online da Microsoft, John Betz: “a empresa caminha em direção ao que chama de paridade de serviços”.

Com customização limitada por força de limitações impostas pelo sistema 2007, que não tem integração com sistemas multi-uso, o lançamento da versão 2010 promete oferecer aos usuários o recurso My Sites, que lhes permite rodar um código em uma sandbox, instância separada com privilégios de acesso limitados e sem o risco de derrubar toda uma rede de servidores.

Nem todos os recursos do BPOS continuarão os mesmas oferecidos para execução local. Por exemplo, o suporte BPOS ao contingente de dados protegidos pelo ITAR (Regulamentação internacional do transporte de armas) só estará disponível para agências governamentais. Além disso, devido a questões de latência da rede, o cliente precisa ter sistemas PBX próprio para integrar os recursos de voz com o Office Communications Online.

Outra limitação do BPOS, recentemente mencionada em uma mensagem no blog da Microsoft, é a ausência do suporte aos clientes Office 2003.

“Não vamos conseguir paridade total entre os serviços”, afirma Betz. O executivo afirma que essa falta de integração se dá em função de determinados processos precisarem rodar em sistemas do usuário, entre outros motivos.

CRM

Existem outros produtos da Microsoft na corrida por oferecer, na nuvem, serviços que geralmente vêm em softwares de instalação local. O CRM (sistema de gestão do relacionamento com clientes) é um exemplo disso. O novo pacote deve permitir uma customização na nuvem, igual acontece na versão local.

Resta a questão do que motiva esse tratamento distinto na integração dos diferentes recursos da MS. Acontece que, com o BPOS, a Microsoft opera os servidores em nome dos clientes. Já no ambiente cloud, essa administração ficaria a cargo dos próprios clientes.

À frente da direção do grupo de plataformas estratégias da Microsoft, Tim O´Brien, lembra a experiência de apresentar o BPOS a um cliente:

“Ele parece nada impressionado com o que mostro a ele, simplesmente balança os ombros e diz que nada disso passa de SharePoint, ao que respondi que era exatamente isso! Era o investimento que ele havia feito em SharePoint mostrando resultado”.

O Office Web Apps precisa de um servidor backend SharePoint 2010 e não deve oferecer a mesma funcionalidade do Office de instalação local. Mesmo assim, Lew promete melhoras no sistema, mas ainda não diz que melhorias serão essas. Integração completa entre as linhas cloud e locais da suíte Office jamais permeou a lista de intenções da MS, pelo menos não até hoje.

“Não acreditamos no Web Apps como substituto, e, sim, mais como complemento para quem já é usuário do Office”, finaliza Lew.

Por Network World/EUA

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