TI sem limites


O caos aéreo vivido pela Europa em abril deste ano não deverá se repetir. Porém, enquanto o vulcão islandês continuar em atividade, viveremos sob suspense. O aspecto mais difícil dessa história é prever a evolução da nuvem de cinzas.

Fazer previsões meteorológicas para os próximos dias é um assunto dominado, mas o modelo de propagação das cinzas vulcânicas é bem mais complexo. Nesse caso, nossa capacidade computacional parece ser limitada. Para nosso orgulho, como profissionais de tecnologia de informação (TI) e cidadãos, esse fato é uma exceção. E entre as notícias de abril e maio, dois fenômenos apontam para a transformação provocada pela TI.

No dia 6 de maio, as bolsas americanas sofreram uma queda brutal, um “mini-crash”. Além de apontar os dedos para os famigerados especuladores, falou-se muito em informática. No mercado financeiro, a TI desconhece limites. Já foi o tempo em que os sistemas apoiavam, registravam e monitoravam as transações. Hoje, graças a modelos sofisticados, o software decide. Todos os dias, milhões de transações automáticas são disparadas para se aproveitar as oportunidades oferecidas pelos mercados. Por traz da arbitragem com ações, commodities ou câmbio, cada vez mais software e menos gente.

Não é difícil vislumbrar uma situação em que todos os sistemas reagem de forma semelhante, provocando uma reação em cadeia. Por exemplo, com inúmeros operadores vendendo suas posições ao mesmo tempo. As autoridades do mercado aprenderam a lidar com tais crises através de intervenções bastante humanas, interrompendo tudo ou cancelando em bloco as transações que antecedem o mergulho das cotações.

O “mini-crash” é algo detectável e identificável. Será que os problemas param por aí? Será que a onipresença dos sistemas automáticos e seus incríveis algoritmos gera outras distorções? Talvez sim, talvez não. Sempre que vivemos um episódio parecido, questionam-se os princípios desse mercado tão ágil, nervoso, integrado e muito bem informatizado.

A TI também está transformando a guerra numa profissão de colarinho branco. O sucesso incontestável dos drones (aviões sem piloto) na guerra contra o terror no Afeganistão e Paquistão é destaque contínuo na imprensa mundial. Usando o melhor da TI, especialmente a embarcada, um número crescente de aviões são operados de modo remoto a partir dos Estados Unidos. A profissão de piloto está sendo substituída por operador de drone. Nada a ver com o pessoal de “Top Gun”.

A única falha lamentável desse projeto foi a falta de proteção adequada às informações enviadas pelos drones. Não é por falta de tecnologia. Aposto que foi um daqueles itens que vão ficando para o fim e, depois, acabam no esquecimento. A virtualização da guerra é uma questão de tempo. Se as vidas dos pilotos são poupadas em quaisquer circunstâncias, quem habita nas proximidades dos alvos não tem a mesma sorte. Deixo o meu sincero apelo: Senhores pilotos, isso não é videogame!

A TI continua sendo a melhor fonte de novidades e transformação da sociedade. As mudanças são tão rápidas que, muitas vezes, surpreendem o sistema como um todo. Princípios e regras que foram úteis por tantas gerações precisam ser repensados. Tanto no caso do mercado financeiro como na aplicação militar, avançamos tanto que esbarramos em questões éticas. Afinal, qual é o limite?

Fernando Birman – Diretor de Estratégia e Arquitetura de TI do Grupo Rhodia e trabalha em Lyon (França).

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