Presidente da Totvs defende preferência ao produto nacional


O presidente da Totvs, Laércio Cosentino, defendeu a preferência do governo ao software desenvolvido no País em compras públicas. Ele acredita que o poder de compra do Estado pode apoiar a construção de marcas nacionais de alcance global e fortalecer o setor produtivo de maior valor agregado. Para ele, “nas mesmas condições de preço e qualidade”, o software feito aqui devia ter prioridade.

”Faço uma crítica ao governo brasileiro por comprar ERP de fornecedores de outros países”, disse, durante palestra feita hoje no I Congresso Softex de Alianças Empresariais, em São Paulo. Para ele, tais medidas seriam importantes, “se quero ter uma empresa de alto valor agregado” no País.

Contratação de serviços
O executivo também  reivindica que os serviços contratados por estatais ou órgãos públicos, como a informatização do Judiciário ou o processamento de dados da urna eletrônica, fossem empacotados como produtos, passíveis de serem comercializados a terceiros pelos fornecedores. Ainda que mediante contrapartidas, por exemplo, o investimento de uma parcela da receita em P&D. “Hoje, há implementações importantes, de alto valor, sem dono, sem possibilidade de serem exportadas”, explicou.

Para ele, esses seriam caminhos para internacionalizar a produção brasileira de ponta. “Não me sinto confortável em dizer que somos líderes em exportação de minério”, argumentou. As condições formais da Petrobras para preferir produtos nacionais deviam prever, pediu, “software, inclusive”.

“O chinês tem paixão pela China”, disse, citando o país como exemplo de política de incentivo público à tecnologia local. “A China tem um mercado de 1 bilhão de pessoas; nós temos 200 milhões”, afirmou. “Para entrar nesse mercado, os chineses estabelecem regras. Não vou defender o governo chinês; vivemos numa democracia. Mas vamos pensar no que queremos”.

Tratado de Madri
O presidente da Totvs também criticou o fato de o Brasil não ter assinado o Tratado de Madri, relativo à   propriedade intelectual, que faria valer os registros de marca locais para um grande número de países. “Hoje, temos que registrar em cada país que vamos atuar, num processo de alto custo”, disse, estimando em US$ 50 mil por mercado cada registro realizado.

Finalmente, destacou a falta de engenheiros e técnicos qualificados a ser enfrentada pelo mercado  — e pelo governo – no crescimento setor de tecnologia da informação. A empresa está investindo em convênios com universidades e em educação a distância, mas informa que, mesmo assim, tem de 50 a 100 vagas permanentemente abertas.

“A falta de pessoal é um problema que o Brasil vai ter de encarar”, disse. Especialmente, ressaltou, com a demanda adicional por profissionais de engenharia a ser gerada pelos futuros empreendimentos para exploração de petróleo na camada pré-sal.

Segundo Cosentino, a intenção é estender ao exterior o movimento de fusões e aquisições (já foram feitas 22) que está na base da estratégia da empresa. “Mas sem abrir a guarda do mercado brasileiro”, garantiu.

Por Verônica Couto para a Computerworld

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